quinta-feira, 8 de agosto de 2013

RioCard, a facilidade complicada


Quem vive no Rio de Janeiro, sabe que um dos piores castigos é pagar o ônibus com dinheiro, principalmente quando o ônibus não tem trocador, ou então, chegar no metrô, trem ou barca e ver fila tanto na bilheteria como na roleta. Para facilitar a vida dos que aturam isso todo dia e para acabar com aquela papelada que o chefe dava, que eram os antigos Vale Transporte, criou-se o RioCard, mais futuramente o Bilhete Único, Bilhete Único Carioca, e assim vai. Mas não é tão fácil assim como parece ser.

Para manusear, basta você pegar o cartão, encostar na máquina e passar. O esquema é o mesmo que o caso das integrações do metrô aqui no Rio, em que você passa numa outra máquina (dedicada apenas a cartões do metrô) e ele libera, guarda o cartão, salta na estação destinada, pega a integração da mesma maneira, e pronto. O RioCard é a mesma coisa, e com o tempo, foi evoluindo até afetar praticamente todos os transportes públicos do estado do Rio de Janeiro.

Nada mais fácil também para as empresas, que vão no computador, e colocam o crédito no cartão dos funcionários todo mês e cai o mesmo valor sempre, evitando assim aquela papelada que havia de vários tickets com o valor de uma passagem. A facilidade também entra para a empresa dando um Bilhete Único, que você pega uma condução, e se pegar outra (com o mesmo valor) em até 2 horas e meia, não paga a segunda. Uma facilidade que nem parece que é Brasil.

Mas o problema começa justamente quando você quer recarregar o maldito cartão, quer dizer, não é que seja difícil, mas são maneiras inviáveis na maior parte do tempo. Há o método pela internet, em que você tem seu login de controle do cartão, coloca o valor, e tira uma boleta, mas o problema é que boleta sempre demora mais a bater o pagamento comparado ao cartão de crédito, e leva três dias úteis para liberar o saldo na sua conta da internet, e depois você precisa esperar mais um ou dois dias para liberar o saldo no cartão.

Isto também envolve se estiver fora da internet. Vou utilizar uma hipérbole porque não sei o valor exato: há vários postos de recarga em várias partes da cidade, sendo lojas, como padarias, bares, papelarias, e até chaveiros, que fazem a recarga, mas no final, tem um limite diário para cada loja. Ou seja, se o limite é 200 reais, e você carrega 200 reais, e tem pessoas na fila, você recarrega tudo e quem está na fila fica sem, e só no dia seguinte recarregará. Outro problema são as lojas do RioCard mesmo, que ao chegar, nas duas vezes, o sistema estava inoperante, outro problema que veja acontecer constantemente.

Na propaganda, como sempre, é uma estratégia política, mas é uma verdade quando se diz que facilita, e realmente facilita, mas isso acaba quando seu saldo do cartão começa a acabar. No site, a melhor solução seria aceitar cartões de crédito, como todas as lojas virtuais fazem nos dias de hoje, e não adianta falar que é estatal porque aquilo é um comércio de qualquer maneira e precisa se adaptar ao mercado. Hoje em dia, apostar em boleta é a mesma coisa que dizer que assustar clientes, porque só em casos específicos, como concursos, ou que não tenha cartão, que é aceito sem resmungamentos.

Por fim, os pontos de recarga, a solução é ou acabar com eles, porque não ajuda em nada, tanto nas localizações que é um num lugar e outro no inferno, com também nos limites diários. A Fetranspor deveria colocar nas casas lotéricas, que é o melhor local para isto. Acabar com o limite diário é uma ótima solução, e em qualquer terminar rodoviário, uma máquina que faça isso, e tem como, porquê o metrô tem várias para recarregar o cartão pré-pago, que é como o RioCard mas que funciona somente no metrô. Acho que até a SuperVia (trens urbanos) utiliza este sistema de recarga como o do metrô.

Já é complicado pegar ônibus sentido Centro de manhã, e ainda precisa aturar este passe errado? Se não fosse o incômodo e ficar tirando o dinheiro do bolso ou da carteira, contar, e guardar troco, eu nunca mais utilizaria este troço. O que é para se tornar uma facilidade acaba se tornando a coisa mais complicada de todas, e o pior, atrasado. 2013 e não tem sistema de pagamento via cartão de crédito e ainda impõe um limite diário para algo que com certeza a cidade inteira procuraria algo que fizesse o trabalho, porque o carioca praticamente nunca vai de carro para o seu trabalho, caso seja no Centro ou redondezas. Só no Brasil mesmo.