Jogo um livro para cá, para lá, arrumo meu quarto-escritório. Pego mais um pouco, outra pilha. Limpo, dou os devidos cuidados, limpo a estante improvisada, limpo mais uma vez os livros, e coloco por gênero, autor, editora, tons de capa, tudo detalhado. Se tenho TOC? Isto não convém ao momento, mas pode-se dizer que talvez seja um. O que mais impressiona é depois.
Todos os dias enquanto eu tanto trabalho como estudo, fico de cara com tais livros. Títulos nacionais, internacionais, romance, suspense, terror, Machado, John Green, C. S. Lewis, entre muitos outros. A maioria ali já lido, lido com pressa mas não sem dar seus devidos cuidados. Se me alimentei das páginas amareladas? Claro que sim, e é por isso que estes têm uma marca inesquecível.
Aquela história de "não julgue um livro pela capa" é meio fajuto. Livros com capas feias não dão empolgação, e é com a capa que lembramos daquele velho livro, pois está marcado no seu coração, cérebro e estante, ou até no Instagram. São resumos de livros em páginas meio duras, com cores, rabiscadas, não sei. Algo interativo, dá ao leitor uma mágica inicial em que ele absorve lendo e pede mais depois.
As páginas amareladas são marcantes, com títulos marcantes, capas criadas com perfeição daquele momento e dando ênfase ao que há dentro daquele livro. Mas o que mais marca é enquanto estou no momento de produtividade. Olhar para tais livros na estante, lembrar de cada enredo, é fascinante. Uns me deixam alegres, outros me fazem pensar que sou um rei, outros tristes. Não nego a boa sensação, é maravilhosa, mas sim, é marcante. Enquanto marcamos páginas de um livro, as páginas marcam nossas memórias.