domingo, 22 de dezembro de 2013

"Amor" de Carnaval


Atenção: história fictícia.

Pensei que nunca ia contar esta história, mas mudei de ideia após sentar nesta mesa de bar e pensar bastante na vida, que, por sinal, a melhor consulta é sentado em uma mesa de bar, mas, desta vez, estava sozinha. Para não dizer que estava sozinha, tinha meu copo e meu cigarro, e acho que só. Se não me engano, eu era a única pessoa naquele bar numa terça-feira à noite.

"Pinguça desgraçada", deve pensar aquele garçom louco para ir embora enquanto estou aqui sentada bebendo uma garrafa inteira sozinha, mas não tem problema, ele está sendo pago para fazer este serviço. Preciso é de tempo para anotar estas informações neste papel e recordar, mesmo que difícil porque já estou flutuando. Só não faço a mínima ideia de como começo esta história. Acho melhor da parte que reatamos... não sei. Ok, deixa eu ver:

"Era muito complicado andar por essas bandas da cidade, principalmente nessa cidade louca sem ter o que fazer, que por sinal, era muito mais fácil antes. Anotar essas ideias não são fáceis, porque, simplesmente, revive memórias que já deveriam ter tido o seu devido caminho ao eterno funeral, mas é impossível, pois quando decide bater aqui dentro, é involuntário.

Durante a madrugada, recordo de estar jogada em sua cama sentindo seus cabelos longos. Havia de tudo para pensar, até mesmo no problema que eu havia arrumado no trabalho, mas isso pouco importava. Naquele momento, eu estava entregue aos meus pensamentos mais traiçoeiros, e, para piorar, ainda havia um telefone do meu lado. Isto era uma tortura.

Decidi não fazer nada, absolutamente nada. Tomei um calmante e dormi, e na manhã seguinte, um telefonema me acordou. Era um dia lindo de carnaval e todos me chamavam, tanto a turma da faculdade como os vizinhos, e eu decidi ir. A festa era linda nas Carmelitas, depois fomos para o Bola Preta, Banda de Ipanema, muitas! Beijei outras bocas que não a sua, até de pessoas que eram extremamente maravilhosas, mas nada surtiu efeito. Já estava entrando em desespero.

Até que, enquanto sentei num cantinho, uma voz me surpreende, mas não era nada demais. Olhei para frente, achei que a via, mas também não era. Entrei num conflito interno, queria ir para casa e derramava uma cachoeira sem fim. Carnaval não é época para isso, mas fazer o quê? Ninguém é de ferro.

Dessa vez era ela! Ao me ver chorando, correu atrás de mim para me acudir. A conversa foi duradoura e longa, com juras de amor e tudo mais, e eu lá parada de olho nos pássaros que voavam, e gritando com ela. De repente, me pego jogada em seus braços e quase rolando um beijo, e foi isso mesmo que aconteceu. Meus amigos me olhavam de longe, meu celular tocava loucamente, mas pouco importava. Só queria saber desse momento.

Mas essa mágica toda, de carnaval, deve ter durado alguns dias, pelo visto. Estamos em abril e agora estou aqui, bebendo porque ela desapareceu. Acho que eu devia tomar vergonha na cara, ou beber mais uma cerveja dessas. Só sei que tá boa demais e tá me fazendo esquecer algumas coisas, lembrar outras, mas a vida é assim."

-- Garçom, me vê mais um, por favor!

Coitado dele... Aonde foi que eu parei? Ah, sim!