terça-feira, 30 de abril de 2013

O Brasil "não planejado"


Convivemos com uma disputa entre o certo e errado todos os dias, mas que propriamente, pelo menos no território brasileiro, deparamo-nos com o que há mais de errado em nosso cotidiano, e algumas vezes, infringindo até o que é ético. Não há outra sensação a se tratar deste assunto como a indignação de quem paga seus impostos em dia e não há retorno, e não preciso mais dizer nada para que você, nobre leitor, compreenda o que lhe digo.


O problema é velho, já podemos ver desde antes da Era Vargas, aonde aconteceram grandes mudanças, e bem antes mesmo, no comecinho do Brasil República. Muitos planejamentos eram nada planejados, e sim, apenas ideias no papel que tardaram para sair do papel, e muito mais, para começar, e mais ainda, para fingir que planejou e entregar, como é a realidade de hoje. Exemplos claros de anos passados é no governo de José Sarney, onde uma ferrovia que integraria o Norte e Sul do país, até hoje não tem perspectiva para operar 100%, e se depender, terá de ser toda refeita.

É o que acontece quando há ideias e não há planejamentos; a dita ideia despenca, e não há nada que possamos fazer para que ela esteja de pé novamente, a não ser, convocar profissionais necessários e começar a trabalhar na parte teórica. No caso da ferrovia, não houve planejamento nem em qual material comprar, onde até os trilhos não são indicados para peso de um trem de carga. Se houvesse uma reunião de cúpula, com todos os partidos envolvidos e empresas de licitação, seria diferente.

Fugindo já da área civil, vamos para o campo que amada por muitos, o campo da tecnologia, e fugindo do assunto "Custo Brasil", há outro campo polêmico: telecom, campo esse que gerará mais uma piada internacional envolvendo "Brasil" e "evolução. Trata-se da falta de confiança, compromisso e segurança que as teles nos dão, incluindo, o 4G, que é uma piada pronta.

O 4G chegou tarde, e chegou justamente quando nem 3G e HSPA+ temos direito, o que em outros países a rede 3G já é uma tecnologia quase ultrapassada, como nos EUA e Canadá, onde a maior parte do território nacional já conta com a conexão pela rede 4G. A falta de investimento no 3G nacional já é evidente que a 4G pode ser mais uma jabuticaba além da rede 3G, se posso utilizar o termo alcunhado pela nossa amiga sem fio, Bia Kunze.

Além disso, eu tenho quase certeza que, se não temos suporte direito ao 3G, o 4G será pior ainda, principalmente nos seus primeiros anos. Não adianta dizer "temos um ano", porque do jeito que aqui anda e com leis que tardam instalações de novas antenas e equipamentos, um ano não dá nem para cobrir 20% de São Paulo, que dirá o Rio de Janeiro com sua extensa área com montanhas. Não gosto de ser pessimista, mas já estou me preparando para ano que vem carregar um chip de outra operadora comigo, porque eu sei que vamos ter um apagão nas redes, principalmente porque habito uma região próxima ao Maracanã, um dos estádios principais, no Rio de Janeiro.

Ou seja, algo não planejado de novo, e o pior: não temos mais tempo nem para respirar, como sempre acontece/aconteceu. A FIFA já está martelando em cima, e claro, gringo que é gringo vai querer se sentir em casa durante os jogos, e não conseguirão também, até porque, os planos de 4G são um HSPA+ disfarçado, com as mesmas velocidades — por volta de 5MB. É uma piada, não? Até onde sei, plano 4G, principalmente LTE, vai até 100MB, chegando à 25MB no mínimo geralmente, e o pior ainda: há tecnologias, como DC-HSPA+, que traria quase 50MB fácil fácil, e se tivesse tudo planejado, até esta tecnologia entraria no meio para dar uma ajuda, mas não foi dessa vez.

E temos mais uma pérola, jabuticaba, o que você quiser denominar, e tudo isto por falta de planejamento e compromisso. Isso de "jeitinho brasileiro" não existe, é só mais uma alcunha para mascarar que somos ineficientes quanto a qualidade e compromisso. Enquanto não haver planejamento para... vamos dizer... até para instalar um vaso sanitário no parlamento, não podemos esperar nada, aliás, só recordar uma coisa também: falta de planejamento causa superfaturamento, e isso bate no seu bolso no final do mês.