terça-feira, 9 de julho de 2013

Para quem?


Observação: decidi, finalmente, publicar o que escrevo. Guardar isto num caderno não está indo muito bem. De qualquer maneira, sem kibe porque o poema está registrado com direitos autorais. Se haver plágio, eu vou contestar contra sem dó nem piedade. Teje visado.

Entrego para quem esta vida mundana?
Para quem entrego este momento desconfortável dessa manhã aqui,
Em São Paulo, próximo a Av. Paulista, sentado na sala de estar
Preparando as malas para voltar para a minha cidade.
Rio de Janeiro?
Será?
É para quem?
Para quem está,
Estar só,
Estou só.

Para quem entrego esta garrafa
De whisky de 48 anos guardado
O charuto guardado
O paletó cheirando à mofo,
Guardado no armário desde...
Você sabe!
Visto-o para o avião,
Mas o charuto,
Cê sabe,
Eu guardo e fumo cigarro.

Bebo nesta xícara de café
Café requentado
Tranquilizado, apenas
Imóvel, intocável,
Trago mais um pouco de meu cigarro,
Mesmo aos 76 anos,
Cansado, velho, sem pulmão,
Estou sozinho, que pouco importa?
Fico por aqui mesmo,
Sozinho,
Só eu,
A fumaça,
Sem pulso.