quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O brasileiro e a Scotland Yard


Nunca há realmente paz entre os países, e mesmo que haja acordos diplomáticos, acordos de mercado, e o que for, há sempre uma intriga. Desta vez, está totalmente entre ao Brasil e o Reino Unido, ou o Estados Unidos com o Reino Unido – ou a OTAN mesmo – contra o Brasil, o que for. Justamente, um problema diplomático ocasionado pelo brasileiro companheiro do jornalista Glenn Greenwald, que foi barrado no aeroporto londrino por uma lei anti-terrorismo que a polícia tem poder de impedir o embarque do imigrante caso haja suspeitas, e sem uma ordem do juiz. Uma lei justa, diga-se de passagem.

Sendo sincero, isto já era um episódio que eu esperava há muito tempo. É claro que em algum momento, Greenwald e/ou alguém próximo teria problemas, principalmente os mais próximos. David Miranda, o brasileiro, foi barrado em Londres quando saia da Alemanha e foi fazer uma escala no país da rainha. É mais que óbvio que ele fosse barrado, e nem precisava de suspeitas: o mundo só tem olhos para os dois, e isto seguirá por um bom tempo.

Para piorar a situação, me contaram que Miranda carregava mais arquivos secretos, e isto é algo gravíssimo. A lei anti-terrorismo permite apreender pertences pessoais sem a ordem de um juiz, e o brasileiro era o mais suspeito de todos, e não há como negar. Dizer "por que não o próximo?" é algo improvável. O nome dele está estampado nas capas dos jornais do mundo inteiro, é claro que iriam barrá-lo, e a Scotland Yard sabia o nome dele de cor.

Ele não tinha nenhuma bomba na bolsa, não tinha explosivos, nem um gás que vá asfixiar um avião inteiro, mas tinha algo que era perigoso em mãos erradas: informações. Caso não saibam, ter arquivos secretos de um órgão de segurança nacional é algo muito perigoso, e isto em mãos erradas é o fim. Isto é considerado terrorismo com certeza, pois você deixa uma sensação de insegurança no país inteiro, afinal, o terrorismo que conhecemos faz exatamente isso.

Havia ainda a questão dele ter obtido mais arquivos na Alemanha, ou seja, aí sim é fatal. Os primeiros arquivos foram sobre o esquema de espionagem americana, mas e os atuais? É um em um milhão para acontecer o exemplo que vou citar, mas vai que, por ventura, há um código de acionamento de uma bomba nuclear? Ninguém sabe! Se estão restritas, é por um motivo, e em geral é a condição caso esteja nas mãos erradas, seria um risco mundial. Imagine uma rede como a Al Qaeda com isto em mãos? Seria o fim, certo? O mesmo seria com um americano que conseguiu asilo político num país como a Rússia e que os "inimigos" dos EUA estão doido para defendê-lo só para se opor ao governo norte-americano.

Achei a atitude da Scotland Yard bem precisa e eu pensaria no mesmo. Tudo bem, eu não concordei com o que a NSA fazia, mas eu acho que nenhum brasileiro iria gostar que vazasse algum arquivo sigiloso do exército local e pudesse expôr mais o país. E se o Itamaraty acha que vai conseguir algo favorável a ele por querer combater este caso e o caso da NSA, pode tirar o cavalinho da chuva que vão conseguir é um belo de um chute na bunda. Disto eu tenho certeza, ainda mais com a fama de dar asilo político para alguns criminosos conhecidos no mundo inteiro.