Frequentemente, ao ir para algum lugar, passo por várias praças, e é algo que eu realmente gosto muito de onde moro é que há bastante delas, e para passar um tempo que tende a ser morto pensando em ser um pássaro de novo, é bem divertido. Mas não somos os únicos a nos divertir nas pracinhas. Tem outros, muitos outros, e estão todos os dias lá, e acho que você já suspeita do que digo.
Enquanto escrevo este texto, mais uma rodada de carteado começa e mais copos de cerveja enchem. É sexta-feira, os homens mais velhos e conhecidos do bairro estão no meio daquela pracinha que você só utiliza como calçada, sentados naquelas velhas mesas quebradas de jogar xadrez ou damas, com seu baralho em mãos. Estão lá, quebrando as suas cartas, quebrando e repassando para cada um. 1, 2, 3, 4, e a contagem delas é feita.
Mas nada os intimida a sair de lá, mesmo sendo sexta ou não. O local se movimenta, o povo sai do seu trabalho e pensa "graças a Deus, hoje é sexta", e alguns jovens vão se refrescar parando em locais assim por 5 minutos. Lota-se o local, mas nada os intimida a sair de lá. Geralmente, composto de senhores, e há uma diversão. Cada um esperando a jogada, enquanto gargalham, gritam, jogam mais um gole para dentro, e ao redor, a cidade se movimentando. Eles ignoram tudo isso, mesmo quando falam sobre política e futebol.
Já parei para sentar nesta mesma praça e ver as mesmas quatro figuras de sempre jogando, todos os dias. Fico refletindo comigo mesmo se aquilo é divertido. É sim. Para nós, com nossas cabeças sintonizadas naquele ritmo de acordar cedo, ônibus lotado, Av. Rio Branco, ônibus, jantar e cama, é sem graça, mas veja-os focados ali. É lindo. Ignoram tudo ao redor, e se há um comentário é o velho: "veja o trânsito, está tudo engarrafado" e só. Acho que nós deveríamos nos dedicar um pouco a estes momentos de calma e diversão. Faria bem, com certeza.