Repentinamente, passei no Centro do Rio de Janeiro esses dias justamente apenas para almoçar, e cabe-me a pensar: "sou idiota ou algo do tipo? Desci do metrô vazio só para almoçar. Que anta que sou!". Não, não chegava a isto. Havia uma necessidade, mas não chega ao ponto que desejo entrar que noto apenas quando salto da estação Uruguaiana e Carioca. Acho que, pelo título, já dá para notar exatamente o que vou falar, de novo.
Saí de um dos buracos mais antigos da cidade, mas não tão antigo assim. Subi, caí no maior camelô da cidade, e sai numa ruela. Uma das ruelas mais antigas da cidade com casarões antigos que viraram lojas com uma história toda ali, viva. Monumentos novos ao redor, como os prédios giga-gigantescos que você vê quando está chegando na Av. Rio Branco, ou até mesmo lojinhas novas, mas que na verdade, utilizam uma arquitetura de mil-novecentos-e-Dom-Pedro.
Esta é a graça do Centro do Rio de Janeiro. Quando se está lá, você faz a conexão entre o velho e o novo. Se você se sentar na Av. Rio Branco (ok, impossível) e notar cada pedacinho da antiga Av. Central, você vai sentir isso na pele. Ali, mesmo tendo todos aqueles prédios que hoje são de empresas X e Y que chegaram ao Brasil quase no século XXI, lojas grandes atuais, se você tapar os ouvidos e imaginar as charretes, é o Rio de Janeiro das antigas. Ainda há resquício daquilo, principalmente quase na Cinelândia, aonde há a Biblioteca Nacional, Theatro, entre muitos outros. Tudo belle epoqué.
Ok, não precisa ser no "ponto cultural-histórico nobre do Centro". Podemos ir à Saúde, Central, qualquer lugar. A Rua Camerino, Marechal Floriano, qualquer uma ali, com casarões gigantes, hoje sendo lojas ou depósitos. Nem mesmo aquele prédio giga-gigantesco da Embratel disfarça a essência de um bairro que há tempos foi um local nobre e frequentado por muitos e já foi caminho da Família Real para algo, que coitados, foram expulsos agressivamente do Brasil..
Não há herança maior que essa. Esses dias eu vou ter que passar lá de novo. Espero consegui puxar o ar e sentir cheiro de bosta de cavalo, imaginar estar pisando num paralelepípedo sem ser furtado, como quase aconteceu das últimas vezes. Mesmo com a modernidade, aquilo lá continua lindo de doer os olhos e fritar o cérebro por querer imaginar aquilo tudo antigo e não conseguir porque é coisa demais.