Enquanto escrevo este texto sentando no conforto do meu quarto numa cadeira meio confortável, avisto o relógio e exclamo: "poxa, já?" pois já se passaram poucas duas horas além da hora em que eu deveria estar na cama. Não feliz e contente com isto, ainda insisto a minha insanidade; recorro ao meu estoque restante emergencial de energia, mas mesmo assim, exausto, preciso recorrer aos chamados do tempo e cair nos braços de Morfeu.
Lembro de certos momentos na vaga infância em que chegar era chegar em casa, passar por toda aquela paparicação de janta, tomar banho, e logo em após ter feito todas aquelas tarefas de casa aplicadas pela tia, brincar como se não houvesse amanhã. Quando era final de semana então, poxa, era o dia brincando com as outras crianças do meu prédio. Não porque era criança, mas parece que tínhamos muito o que fazer e o tempo parecia que não acabava nunca.
Hoje, pego um livro, leio 30 páginas, e quando olho, passaram-se minutos e mais minutos. Não contente, ainda temos que encarar isto com o trânsito, com todas as travessuras do destino e do tempo. Se pego um livro para ler, quando eu olho, mesmo tendo finalizado, já perdi uma grande parte do meu dia, e eu ainda quero assistir um filme, mas geralmente não há tempo. Ainda há o maldito vestibular, e não agora mas que virá logo adiante, um emprego.
Não temos mais noção de tempo. Nem mais vejo esta noção de manhã enquanto me arrumo para o colégio e para passar o dia inteiro enfurnado na rua, fugindo do calor fritante do Rio de Janeiro, das travessuras do destino e aturando a linha 2 do metrô. Ainda assim, temos que conviver, mas continuo com a minha ideia de que minha vida seria melhor com 72 horas por dia. Quantos livros eu iria ler? Quantos filmes eu veria? As minhas séries ficariam em dia? Estudaria? Lógico, tudo isto em um conjunto completo. Quase um plano "Gold" que as operadoras oferecem, dando opções: pacotes com direito a 12, 24 e 72 horas de ação diária, incluindo 8 horas de sono adicionais e 10 carneiros. Seria uma maravilha.