domingo, 29 de setembro de 2013

Os jovens escutam bossa nova


Consegui nos 45 do segundo tempo um ingresso para ir ao show da Vanessa da Mata no Rio de Janeiro, no qual a própria cantava Tom Jobim. Como eu já esperava, a taxa de adolescentes que estava frequentando o espaço era absurdamente baixa, tendo um certo pensamento de que havia apenas eu e meu amigo abaixo dos 18 anos lá, ou melhor, abaixo dos 26 anos -- posso estar enganado nas estatísticas. Na fila de acesso às cadeiras, uma mulher que estava atrás na fila aparentava assustada pelo fato de ter dois fedelhos ali.

Eis que ela tem razão. Em todo o show, como eu já havia dito, não avistei um jovem da minha idade ou próxima. Não haviam crianças, não haviam adolescentes, apenas adultos e senhoras e senhores que já estão entrando ou já estão na terceira idade. O espanto da mulher ao proclamar "são novos e estão aqui ouvindo Tom Jobim" faz sentido.

Nunca na minha vida encontrei tanta gente que admirasse MPB com certa idade abaixo dos trinta, quem dirá bossa nova. Confesso isto na base do meu vínculo social em que alguns (ou quase todos) nem sabem quem é Chico Buarque, quem dirá outros demais, como Edu Lobo, Toquinho, entre muitos outros. Não só a mulher da fila se espantou com esta visão, pois eu também, já que jazia uma mínima esperança dentro de mim de ver alguma menina de 17 anos cantando Dindi, e de preferência bem próximo aonde eu estava, se é que me entende.

Por fim, deixo este último parágrafo para comentar o show. Já acho a Vanessa da Mata uma mulher surpreendente, a voz dela é linda, muito clara e limpa, é um espetáculo, mas ela cantando Tom Jobim foi a coisa mais incrível ainda. Parou alguns momentos entre músicas para, sensatamente, dar sua visão literária sobre as composições do nosso querido maestro. Mas a coisa que mais me surpreendeu foi ela cantando Samba de Uma Nota Só, que sem dúvida, mostrou-se uma grande cantora. Cheguei a ficar arrepiado na troca de notas. Que voz, que mulher!