sábado, 4 de janeiro de 2014

Um desejo quase impossível


Às vezes recolho-me à minha interior quietude e decido respirar um pouco e repensar no plano de vida, que vaga desde coisas pequenas à grandes viagens. Ultimamente paro muito em um tópico bastante polêmico e decisório, que é voltar a morar no interior, coisa que odiei no passado, mas agora é diferente. Infelizmente, nada é fácil nessa vida, e nem prático a ponto de chegar e fazer como quero.

Viver no interior é algo que cobiço há tempos, desde pequeno, uma vez que a rotina da grande cidade às vezes me deixa perplexo em ver como as pessoas reagem em situações adversas e às transformam em uma bola de neve que vai rolando morro abaixo sem parar. Isto é algo doentio, e muitos não percebem isso, mas eu já me livrei disso por alguns meses.

Mas não aguentei um mês. Não foi sentir falta disso porque cresci com isso -- na verdade, no bairro que eu nasci e cresci, isso só começou a ficar assim quando voltei a morar lá --, e sim porque a cidade que fui morar era (é) praticamente inabitável em qualquer sentido. Não há o básico e não haverá tão cedo, e é só agora que estão começando a colocar asfalto em grande parte da cidade, e, ainda, o clima é averso às vontades, já que odeio calor e praia.

A sugestão que dei a mim mesmo foi morar na Região Serrana, atendendo necessidades, lugar que sempre gostei, e tudo mais, mas abrindo o olho para as portas da realidade. Por enquanto, com 17 anos de idade, não posso dirigir e há o maior empecilho atual, que é a faculdade, e ainda preciso trabalhar. Mas o pior é a falta da carteira de motorista, que me impede de me locomover entre as duas cidades, que eu bem sei que não vou conseguir largar o meu cotidiano do Rio. Sair de lá sem carro é bem complicado.

Mas e aí? O que fazer? Não bate na porta e nem chega perto, e nem consigo encontrar e sentir o cheiro. Fico estagnado no ponto zero como se estivessem me destinando a ficar sentado numa poltrona por horas e horas pensando nessa possibilidade. Terei autonomia e idade para poder tomar as decisões que eu quero da minha vida sem que meus pais e a lei me interfiram, mas mesmo assim, não tenho condições para viver lá.

Já ia me esquecendo! Ainda tem o dinheiro e o fato que preciso trabalhar em algum lugar, mas já que quero ser artista, músico, escritor ou sei lá o que -- nem eu sei o que quero ser --, acho que dá para regular. Dá para viver em uma cidade dessas, uma vez que, a qualidade de vida é alta e os preços estão no chão, mas ainda não tenho solução, tendo conhecimento de uma coisa dessas, pois ainda tem o carro e combustível para poder subir uma serra.

Nem comentei: Petrópolis é uma cidade dos sonhos que está na lista há anos, e mesmo quando antes eu nem tinha a real possibilidade de pensar em uma possível vida pacata em uma cidade enfiada no meio do mato -- lembrando que isso é um grande elogio --, desejava ter um sítio na cidade quando mais velho. A beleza da cidade é encantadora, o clima então, nem se fala. Aquelas montanhas me dão alegria só de olhar em uma fotografia, e quando fui lá, pelo amor de Deus, achei que estava no paraíso.

Parou tudo! Eu só tenho essa idade agora e estou sonhando alto demais. Preciso parar e relaxar e viver minha vida e se realmente quero tentar essa experiência algum dia, correr atrás e trabalhar e aturar muito empurra-empurra no metrô. Afinal, o desejo é quase impossível agora, mas não quer dizer que daqui à alguns anos eu não consiga arrumar minha vida e migrar. Quem sabe?