segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O valor histórico de nossas cidades


Mesmo acabando a Jornada Mundial da Juventude, se não me engano uma ou duas semanas depois, continuei a ver gringos na cidade, e para a minha alegria, durante uma mesa de almoço no Bairro de Fátima, meu primo me apresentou um amigo que ele conheceu durante a semana. Um colombiano, uma pessoa muito boa, mas que mesmo assim não perdeu a sua deixa de turista: por que a Lapa é assim? Por que estes prédios são assim? Mas aí ele me surpreendeu com uma pergunta.

A pergunta foi: "por que é Lapa?" e ninguém sabia. Ninguém sabia de fato, e olha que havia pessoas que amavam a cidade, que conhecem a história da cidade, do Brasil, principalmente durante o período monárquico. É claro que, como turista, ele pensou que, como a gente vive ali, a gente deveria saber esses detalhes e me colocou contra a parede com este argumento. Mas o meu argumento foi maior e mais chocante: nenhum brasileiro sabe realmente a história do Brasil direito, quanto mais da sua própria cidade, e poucos têm interesse. E raramente é dito algo antes da república.

A reação do nosso hermano foi de espanto, e a nossa resposta foi, como sempre, criticando a educação brasileira e o povo. Mas isto me fez pensar realmente: o carioca realmente sabe a história da cidade? Acredito que não. Muitos que eu conheço, ao passar perto do Museu do Índio no Maracanã, mal sabem o que aquilo é e o que já foi. E para piorar, muitos sabem a verdadeira história do Centro, da Praça XV, quem foi Pereira Passos, e afins. Isto é triste.

Já tive contato com o sistema de ensino de outras cidades, como por exemplo, em Saquarema, em que uma matéria obrigatória é turismo. O que mais se falava por lá era a história da cidade, desde os índios, passando pela chegada dos jesuítas, até os dias atuais. Lá, eu notei que o povo, mesmo não interessado, tinha o total acesso a estas informações. No Rio de Janeiro, que é em suma mil vezes maior, ao que me recorde, pouco se falou como por exemplo, as novidades com a vinda da Família Real em 1808. O resto, só a minha professora atual de história comentou por alto, mas no livro listado como confiável do MEC, nenhum conteúdo concreto sobre a história exata de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, nada.

Eu fico triste realmente por não haver profundidade neste ponto, e acredito que seja o detalhe mais importante da história nacional, afinal, é onde você vive e cresceu e com estas coisas "velhas" é que temos a cidade de hoje, e assim você vai entender os muitos poréns da cidade, como por exemplo, porque algumas ruas do Centro são estreitas. Não basta apenas ter o ensino, como também, necessita a paixão dos habitantes. Não adianta falar "sou carioca da gema" se você não vai na Praça Tiradentes e fica admirado com os prédios, mesmo que depenados. Aquilo é a real paisagem da cidade.

Conheço bastante partes da cidade, e principalmente alguns detalhes de história. Amo andar pelo Centro da Cidade, Av. Rio Branco, Lapa, Praça XV, e tudo, e ficar vidrado naqueles casarões antigos, que mesmo tombados pelo IPHAN, estão largados lá. Não há outro sentimento a não ser dor ao ver esta cena. Eu sinto o que aqueles edifícios sentem: a dor, o abandono, tudo dentro do meu peito. Infelizmente, quem deveria mesmo tomar conta disso, pouco faz, e o povo deveria cobrar mais. Por favor, Cariocas, tomem conta desse patrimônio. Lá está sua identidade, sua história, seu suor e seus ancestrais. Aquilo explica muitos pontos da sua existência e ritmo de vida atual.