domingo, 27 de outubro de 2013

Minutos torturantes


Acordei, cocei os olhos, olhei atentamente o relógio, e dei mais um cochilo. Posso resumir a minha manhã de hoje assim, enquanto muitos acho que também faziam o mesmo bem cedo num dia de domingo. Acordar cedo no domingo, aliás, é torturante, mas fomos obrigados. Desisti de insistir contra os ponteiros e levantei. Andei até ao banheiro, fiz toda mesmice que se faz de manhã, incluindo ir andando até a cozinha reclamando: "tá cedo". É, estava mesmo.

Alimentei minhas expectativas e dei uma folheada no jornal. Nada. Notei que tudo se voltava ao mesmo assunto de novo, portanto, nada. Além do mais, nada me trouxe aquele clima animador de "é domingo, você vai ficar à toa", nem o periódico com as Frases da Semana, muito menos um jogo no celular ou olhar para o teto e pensar que não estou trabalhando ou no colégio.

Acabei que desisti, e, óbvio, e fui me arrumar. Estava atrasado e meu telefone tocou. Desci, esperei meu amigo, e fomos à batalha. Faltava pouco tempo para a primeira fase do desespero, mas aconteceu mesmo assim. Enquanto conversávamos na rua, uma senhora pede ajuda, mas infelizmente não pudemos ajudá-la: estava na hora e não podíamos ficar ao lado dela para avisá-la que lá vinha o ônibus dela. Pobrezinha, espero que tenha se dado bem.

"Documentos, por favor", disse o fiscal. Entreguei-lhe agilmente para fins de apressar minha ida à mesa. A segunda etapa começou. Se não me engano, deve ser a etapa mais torturante entre todas. Ainda que você saiba que não tem nada para fazer, você olha para um lado, para o outro, e nada. Coloca a mão no bolso com aquela velha cisma de pegar o celular e ver algo legal, e nada. Nada se pode fazer nesse momento. Só olhar para a parede, e no meu caso, aguardar uma hora até o sinal tocar. Confesso que tentei dormir.

Então começou a terceira etapa. Estava com tudo em mãos, só faltava agora meu cérebro puxar informações que não ouço há um tempo ou relembrar o que foi dito ao longo da semana. Preparei palavras delicadas e as anotei num tom preto com uma caneta esférica e ainda passei de um papel para o outro. Mudei de idioma, debati textos, e depois, conheci Pitágoras e seus amigos e nada do tempo passar.

Mas a terceira etapa nem é tão desesperadora quanto a segunda. Aquele cubículo retangular é quase que uma cela. Havia um texto, aliás, se não me engano, ontem, que falava exatamente sobre celas. Me senti em uma. Tudo branco, silencioso, você totalmente limitado e mesas apertadas. Eu só pedia a Deus para me tirar dali. Por sorte, às 16h40, ele fez isso. E, de brinde, às 17h, me ofereceu um belo de um bife à milanesa. Não é à toa que a senhora disse que eu e o meu amigo eramos iluminados.