segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Subúrbio


Quem me conhece sabe que tem duas coisas no Rio de Janeiro que mais implico em questão de bairros: a Barra da Tijuca e alguns bairros do subúrbio, simplesmente porque nunca vi tanta graça assim no subúrbio como tenho visto ultimamente. Aliás, sou suburbano da Zona Oeste se for considerar alguns pontos, mas há um porém absoluto: basicamente, os melhores bairros da cidade, na maior parte, não estão tão próximos ao Centro, sendo não considerado subúrbio pelo povo.

O termo subúrbio é muito constante de acordo com a região. No Rio de Janeiro, o subúrbio é tratado como bairros que não tem os mesmos benefícios que o Centro e Zona Sul tem. Bairros como a Grande Tijuca, Copacabana, Leblon, entre outros, pelo povo, não é considerado subúrbio, com algumas brigas em questão da Grande Tijuca dizendo que é "subúrbio como Madureira", que seguindo todas as lógicas tanto carioca como a definição norte-americana de subúrbio, a Tijuca não é subúrbio pois está perto do Centro (e é verdade) e ainda tem quase que um cotidiano similar a alguns bairros da Zona Sul. Seguindo a lógica que utilizo no dia a dia, São Conrado é subúrbio assim como Madureira e Barra da Tijuca é subúrbio, mas fica para a próxima. Vou falar como os cariocas falam porque é a nossa realidade.

É maravilhoso, sério. Que lugar você sai às 23h, vira uma esquina e tem uma roda de samba? Lugar nenhum! Estive nos arredores de Maria da Graça e Del Castilho, você nota isso sem sair de casa. Sem contar que, de um jeito ou de outro, o suburbano sempre arranja diversão em coisas mínimas, ou em algum podrão que tem alguns que você nem vomita no dia seguinte -- tipo um aqui perto de casa. Não precisa de um Outback para ter diversão... ouviu, Barra?

Ou então, sem rodas de samba das esquinas, vamos para algo grande: aonde fica as maiores escolas de samba? Cara, não tem lugar melhor para isso! Todos aqueles desfiles, todas aquelas alegorias, aquela cantoria de fevereiro, a energia, os melhores blocos, tudo, tudo mesmo, vem do subúrbio. O samba vem e veio das favelas, as escolas de samba estão nas favelas ou nos asfaltos suburbanos há muitos anos: Portela, Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Salgueiro, Vila Isabel, tudo. Não há lugar mais característico. Claro que a Lapa tem um samba de qualidade, mas vamos entrar num consenso: nenhuma escola de samba está realmente na Lapa.

Ainda, se você conhece a história da cidade, você pode reconhecer os pontos do Brasil na época do engenho. Você pode, dependendo de onde você mora, ver um trem de carga buzinando todos os dias de madrugada porque trem de carga anda assim, e tudo isso nos trilhos da SuperVia indo para o porto, coisa normal que acontecia há anos, pelos mesmos trilhos que foram adaptados para a necessidade atual. Há momentos em que, se precisa de algo, cada bairro tem o que você precisa evitando de ir ao Centro. Sou suspeito por dizer que compro todos os meus resistores, capacitores e afins numa loja lá no Méier -- Eletronal, se não conhecem --, e é tudo barato. Sem contar que, no geral, subúrbio tem cada casarão que não tem mais tamanho, dando uma grande vantagem para os que odeiam apartamentos lata de sardinha.

Estarei sendo muito sincero agora: o subúrbio é maravilhoso, pena que não é pra mim. Não sou desses de ficar frequentando rodas de samba, porque mesmo que eu goste de samba das antigas, fico mais na minha sendo velho e chato preferindo estar próximo de um teatro frequentando todos os dias, estar ao lado do Centro, e ainda, em shows que tem no Circo Voador, ou seja, é desvantagem para mim dependendo do bairro -- moraria no Méier, estourando. Mas acreditem, no subúrbio você vê coisas que ninguém jamais viu em outras regiões da cidade, e digo mais: Machado fez certo em colocar Bentinho no Engenho Novo.