segunda-feira, 30 de setembro de 2013

BikeRio, o ideal para a mobilidade urbana

Quem costuma a frequentar a Zona Sul sabe que a região é lotada de ciclovias, e tanto é que nos finais de semana costumam a fechar vias da orla para possam, tanto ciclistas, como skatistas e corredores, e até mesmo um casal com seu bebê, frequentar a orla no meio da rua, e falo isso no asfalto mesmo. A medida, é ótima, mas nem todo mundo tem uma bicicleta. O Itaú traz uma solução, o BikeRio.

O BikeRio é uma proposta muito inteligente e está disponível quase que na Zona Sul inteira e com planejamentos para expandir para a região da Barra da Tijuca e Tijuca, trazendo em conjunto, novas ciclovias para a maior parte dos bairros que estão no planejamento da Prefeitura do Rio de Janeiro e Itaú. O serviço está próximo das ciclovias, estações de metrô, praças, orlas, entre outros.

Para utilizar o serviço, basta apenas você ter um celular, um cartão de crédito e cinco ou dez reais. Você, pela internet, cria uma conta e escolhe a forma de pagamento, ou melhor, seu cartão de crédito, já que só é permitido o pagamento pelo cartão -- um apelo ao boleto bancário, mesmo eu tendo cartão de crédito. Você tem a opção de comprar um passe diário, que te dá 24 horas para usufruir do serviço, que custa 5 reais, ou um passe mensal que dura 30 dias e que custa apenas 10 reais.

Claro que você não fica com a bicicleta por toda a vida, aliás, dias como domingo em que há briga e um "pra lá e pra cá" para conseguir uma bicicleta, é quase impossível permitir isso. Para evitar conflitos assim tanto para os usuários como para o Itaú, você tem uma hora livre para usufruir da bicicleta em todo e qualquer lugar da cidade, e é o que eles chamam de "hora gratuita". Passado este tempo, você ou devolve e fica sem pagar nada e aguarda 15 minutos até pegar outra bicicleta, ou paga mais 5 reais e a cada hora um valor adicional, como dessa hora.

Quando assinei o serviço, cheguei a pensar que estas horas seriam injustas. Mas afinal, uma hora é pouco? Não, não é. Peguei a bicicleta na estação Anibal de Mendonça, Av. Vieira Souto, Ipanema. De lá, segui o caminho até o fim da avenida e depois retornei ao começo da Av. Delfim Moreira, no acesso à Av. Niemeyer, parando na Farme de Amoedo, deixando a bicicleta numa estação de esquina. Fiz isto tudo em um tempo por volta de 40 minutos, e acredite, cansa.

Já expliquei o pagamento, que é super em conta, no qual eu vou gastar apenas 10 reais por mês e vou ter bicicleta pelo resto mês inteiro, e olha que para mim, que vivo na Zona Sul, é uma pechincha, já que não gasto com transporte público e ajudo no trânsito. Digo isto porque eu posso pegar uma bicicleta, vamos supor, na praça Cardeal Arcoverde, aonde geralmente salto no metrô quando estou em Copacabana, e posso ir até a Pedra do Arpoador e deixar a bicicleta naquela estação, desde que tenha vaga. Ou seja, você não precisa voltar para aonde você retirou a bicicleta, deixando algo bem mais viável.

Por fim de papo, chego na segunda parte que mais me alegrou no serviço. Para retirar a bicicleta, você tanto pode ligar para os números 4063-3111 ou 3005-4316 (ambos DDD 21), ou, o que é muito mais prático, instalar o aplicativo que tem para Android e iOS, fazer seu login, e dali mesmo, liberar a bicicleta, seguindo as instruções. No aplicativo ainda há mapa da cidade com as estações, no qual diz aonde você está posicionado por GPS e ainda diz quantas bicicletas há livre nas estações. Se estiver na rua ainda, você pode comprar o passe pelo aplicativo, sem tocar num computador.

Diferente do WikiRio, um site sobre o Rio (duh), achei o serviço simples. Muitos reclamavam pelo motivo de que não conseguiam retirar as bicicletas e depois da quinta tentativa, a minha foi liberada, mas o motivo pela falha foram os servidores lotados, tanto que às 18h eu consegui liberar a bicicleta de primeira na estação do Cantagalo. O serviço é simples, mas só se você conhece ou se já acessou o site alguma vez, pois seguindo os passos da estação, realmente, é confuso. De qualquer maneira, depois do primeiro uso, segui minha viagem em paz. As bicicletas são bem confortáveis, por sinal, e ainda há regulador para os bancos, caso você seja que nem eu, que odeie bancos baixos.

Se você está na Zona Sul e não tem como carregar uma bicicleta, opte por esta escolha. O Itaú e os envolvidos estão de parabéns pelo projeto, inclusive a prefeitura me surpreendeu com a quantidade de ciclovias que há na região, e digo isso fora da orla mesmo. O BikeRio é uma ótima alternativa sustentável e que não prejudica nada e a ninguém. A ideia precisa ser espalhada pela cidade toda, mas infelizmente, só temos ciclovias na Zona Sul. Uma boa dica, Prefeitura!

Para mais informações, acesse: http://www.mobilicidade.com.br/bikerio.asp.

Nota do autor: este texto não foi pago pelo Itaú, Prefeitura, ou nenhuma empresa. É um "review" mesmo.

domingo, 29 de setembro de 2013

Os jovens escutam bossa nova

Consegui nos 45 do segundo tempo um ingresso para ir ao show da Vanessa da Mata no Rio de Janeiro, no qual a própria cantava Tom Jobim. Como eu já esperava, a taxa de adolescentes que estava frequentando o espaço era absurdamente baixa, tendo um certo pensamento de que havia apenas eu e meu amigo abaixo dos 18 anos lá, ou melhor, abaixo dos 26 anos -- posso estar enganado nas estatísticas. Na fila de acesso às cadeiras, uma mulher que estava atrás na fila aparentava assustada pelo fato de ter dois fedelhos ali.

Eis que ela tem razão. Em todo o show, como eu já havia dito, não avistei um jovem da minha idade ou próxima. Não haviam crianças, não haviam adolescentes, apenas adultos e senhoras e senhores que já estão entrando ou já estão na terceira idade. O espanto da mulher ao proclamar "são novos e estão aqui ouvindo Tom Jobim" faz sentido.

Nunca na minha vida encontrei tanta gente que admirasse MPB com certa idade abaixo dos trinta, quem dirá bossa nova. Confesso isto na base do meu vínculo social em que alguns (ou quase todos) nem sabem quem é Chico Buarque, quem dirá outros demais, como Edu Lobo, Toquinho, entre muitos outros. Não só a mulher da fila se espantou com esta visão, pois eu também, já que jazia uma mínima esperança dentro de mim de ver alguma menina de 17 anos cantando Dindi, e de preferência bem próximo aonde eu estava, se é que me entende.

Por fim, deixo este último parágrafo para comentar o show. Já acho a Vanessa da Mata uma mulher surpreendente, a voz dela é linda, muito clara e limpa, é um espetáculo, mas ela cantando Tom Jobim foi a coisa mais incrível ainda. Parou alguns momentos entre músicas para, sensatamente, dar sua visão literária sobre as composições do nosso querido maestro. Mas a coisa que mais me surpreendeu foi ela cantando Samba de Uma Nota Só, que sem dúvida, mostrou-se uma grande cantora. Cheguei a ficar arrepiado na troca de notas. Que voz, que mulher!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Ouça o que dizem, Dilma

Haja surpresa no ar, estamos na The Economist de novo! Mas diferente dos anos anteriores, que elogiava a evolução da economia brasileira, a revista britânica hoje critica com uma pergunta na capa "Has the Brazil blown it?" (O Brasil estragou tudo?), sendo uma crítica à presidente Dilma Rousseff. Por incrível que pareça, ela questionou a revista.

Infelizmente, a The Economist tocou em assuntos grandes e válidos, gerando uma crítica bem construtiva. Segundo a revista, o Brasil, sendo uma grande potência mundial, um emergente, de repente, teve uma queda considerável em termos econômicos e de desenvolvimento geral. Exemplos são dados em questão da infraestrutura do Brasil e a inflação que só tende a crescer e que não será neste mandato que este problema será solucionado, como já se fala na mídia brasileira. A revista cutuca a presidente de várias maneiras em quatorze páginas em inglês falando apenas sobre a ineficiência brasileira.

As 14 páginas falam apenas verdades, mas Dilma questiona. O questionamento surgiu em seu Twitter que foi recém-ativado alegando que a revista está desinformada, mas quando na verdade parece mais que o PT que está desinformado. No tweet, a presidente destaca a taxa de empregos, dólar estável e inflação sob controle, quando na verdade, não está. A revista apenas tornou de "conhecimento nacional" para "conhecimento internacional" o que os colunistas do Globo falavam com frequência. Basta apenas procurar as edições do mês passado que terá tudo que precisa sobre o assunto.

Eu não entendo de economia para falar sobre a estabilidade do dólar, nem vi as pesquisas atuais de desemprego, mas a inflação eu sinto todos os dias. A inflação pode até estar dando uma melhora gradual com o tempo, mas o país passa os dias inteiros em crise. Infelizmente, a cúpula da presidência e ministérios parece notar, mas sempre tentam passar uma imagem positiva do país, quando na verdade, não passa de pura ilusão de ótica e a história é bem contrária ao que dizem. Basta ler os gráficos.

Dilma prometeu muito ouvir o povo depois da época de protestos, mas parece que não está de fato executando o que disse. Mais uma medida que fica pela metade, se formos analisar bem. Não apenas deve se olhar o que o povo quer, escute os profissionais. Não é só a crítica popular que pode mudar o país, e sim também, críticas de professores, economistas, tudo. A The Economist tem razão e acabou de adicionar mais um item na pauta das eleições de 2014. Vejamos quem vai saber usar as informações de maneira cabível.

Entre o velho e o novo

Repentinamente, passei no Centro do Rio de Janeiro esses dias justamente apenas para almoçar, e cabe-me a pensar: "sou idiota ou algo do tipo? Desci do metrô vazio só para almoçar. Que anta que sou!". Não, não chegava a isto. Havia uma necessidade, mas não chega ao ponto que desejo entrar que noto apenas quando salto da estação Uruguaiana e Carioca. Acho que, pelo título, já dá para notar exatamente o que vou falar, de novo.

Saí de um dos buracos mais antigos da cidade, mas não tão antigo assim. Subi, caí no maior camelô da cidade, e sai numa ruela. Uma das ruelas mais antigas da cidade com casarões antigos que viraram lojas com uma história toda ali, viva. Monumentos novos ao redor, como os prédios giga-gigantescos que você vê quando está chegando na Av. Rio Branco, ou até mesmo lojinhas novas, mas que na verdade, utilizam uma arquitetura de mil-novecentos-e-Dom-Pedro.

Esta é a graça do Centro do Rio de Janeiro. Quando se está lá, você faz a conexão entre o velho e o novo. Se você se sentar na Av. Rio Branco (ok, impossível) e notar cada pedacinho da antiga Av. Central, você vai sentir isso na pele. Ali, mesmo tendo todos aqueles prédios que hoje são de empresas X e Y que chegaram ao Brasil quase no século XXI, lojas grandes atuais, se você tapar os ouvidos e imaginar as charretes, é o Rio de Janeiro das antigas. Ainda há resquício daquilo, principalmente quase na Cinelândia, aonde há a Biblioteca Nacional, Theatro, entre muitos outros. Tudo belle epoqué.

Ok, não precisa ser no "ponto cultural-histórico nobre do Centro". Podemos ir à Saúde, Central, qualquer lugar. A Rua Camerino, Marechal Floriano, qualquer uma ali, com casarões gigantes, hoje sendo lojas ou depósitos. Nem mesmo aquele prédio giga-gigantesco da Embratel disfarça a essência de um bairro que há tempos foi um local nobre e frequentado por muitos e já foi caminho da Família Real para algo, que coitados, foram expulsos agressivamente do Brasil..

Não há herança maior que essa. Esses dias eu vou ter que passar lá de novo. Espero consegui puxar o ar e sentir cheiro de bosta de cavalo, imaginar estar pisando num paralelepípedo sem ser furtado, como quase aconteceu das últimas vezes. Mesmo com a modernidade, aquilo lá continua lindo de doer os olhos e fritar o cérebro por querer imaginar aquilo tudo antigo e não conseguir porque é coisa demais.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Conto: O menino

Durante as minhas caminhadas matinais, ou devo dizer, estava indo para uma das minhas obrigações matinais quando paro e penso um pouco. Ao recordar que não havia tomado uma gota de café ou comido algo por conta de um suposto atraso, catei o restante das moedas que havia no bolso da calça e contei.

— Cinquenta... setenta e cinco... um real... — dei um suspiro de leve. — É... dá para comer algo... devia ter trazido minha carteira.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Crítica aos "revolucionários" brasileiros

Enquanto se anunciava algo inadmissível vindo do STF com mais um escândalo sobre o mensalão, a discussão rolou solta em páginas que ditam-se de direita, que desde antes dos protestos que marcaram 2013 como "o ano em que o povo acordou" começarem, já julgaram os protestos como algo inviável -- há muita história por trás, acredite, e nenhuma beneficia o real interesse da direita --, hoje critica de novo dizendo que não mudou nada, só mudou a mascara -- e tem razão. Enquanto há críticas do tipo, há quem defenda que realmente houve alguma mudança. Será?

Os argumentos sobre mudança que vi foi: hoje vejo brasileiro debatendo política. Será mesmo? Brasileiro não sabe debater política. Brasileiro acha que sabe debater política, mas não sabe. Nunca vi um brasileiro realmente me dizer o básico, que é a diferença real entre as ideologias comunistas, socialistas, fascistas, nazistas, liberais e várias outras que há e mesmo assim, defende Marx como seu deus. Além disso, defendem também Che Guevara como um herói enquanto critica os princípios capitalistas em defesa de uma visão "revolucionária" com base no "proletariado santo e burguesia macabra", mas que na verdade, os próprios usufruem produtos overpriced e são consumistas com vergonha de se assumir. Além disso, não conhecem os "heróis" que tanto comentam, como Che Guevara, que é mais um vagabundo que só queria poder e ainda mais assassino do que um revolucionário como todos dizem enquanto os olhos brilham. Ele é o culpado por Cuba ser o lixo que é hoje, e o Brasil talvez sendo líder de vendas com camisas sobre Che Guevara. Ninguém sabe a verdade dele e há quem queira a visão dele no Brasil. Eu acho que Che Guevara só perde para Stalin, outro vagabundo.

O que aconteceu? Não mudou nada. Mais uma vez, vai todo mundo votar na Dilma, ou se o Lula vier, votará no Lula em prol das políticas assistencialistas que o torna "um grande líder", mas que na verdade, só torra o dinheiro com o que não deve e é ele que devia estar no STF hoje, esperando milagres em que "o estado vai se tornar justo" dando mais poder ao estado em tudo que há direito. O estado deveria nos dar bem estar, não tomar conta de nossas vidas. E ainda falam em ditadura. Fala sério, depois eu que sou chato.

sábado, 14 de setembro de 2013

Noções de tempo

Enquanto escrevo este texto sentando no conforto do meu quarto numa cadeira meio confortável, avisto o relógio e exclamo: "poxa, já?" pois já se passaram poucas duas horas além da hora em que eu deveria estar na cama. Não feliz e contente com isto, ainda insisto a minha insanidade; recorro ao meu estoque restante emergencial de energia, mas mesmo assim, exausto, preciso recorrer aos chamados do tempo e cair nos braços de Morfeu.

Lembro de certos momentos na vaga infância em que chegar era chegar em casa, passar por toda aquela paparicação de janta, tomar banho, e logo em após ter feito todas aquelas tarefas de casa aplicadas pela tia, brincar como se não houvesse amanhã. Quando era final de semana então, poxa, era o dia brincando com as outras crianças do meu prédio. Não porque era criança, mas parece que tínhamos muito o que fazer e o tempo parecia que não acabava nunca.

Hoje, pego um livro, leio 30 páginas, e quando olho, passaram-se minutos e mais minutos. Não contente, ainda temos que encarar isto com o trânsito, com todas as travessuras do destino e do tempo. Se pego um livro para ler, quando eu olho, mesmo tendo finalizado, já perdi uma grande parte do meu dia, e eu ainda quero assistir um filme, mas geralmente não há tempo. Ainda há o maldito vestibular, e não agora mas que virá logo adiante, um emprego.

Não temos mais noção de tempo. Nem mais vejo esta noção de manhã enquanto me arrumo para o colégio e para passar o dia inteiro enfurnado na rua, fugindo do calor fritante do Rio de Janeiro, das travessuras do destino e aturando a linha 2 do metrô. Ainda assim, temos que conviver, mas continuo com a minha ideia de que minha vida seria melhor com 72 horas por dia. Quantos livros eu iria ler? Quantos filmes eu veria? As minhas séries ficariam em dia? Estudaria? Lógico, tudo isto em um conjunto completo. Quase um plano "Gold" que as operadoras oferecem, dando opções: pacotes com direito a 12, 24 e 72 horas de ação diária, incluindo 8 horas de sono adicionais e 10 carneiros. Seria uma maravilha.

domingo, 8 de setembro de 2013

Sério, eu não assisto televisão

Em pleno século XXI, em um país em que a televisão é o item essencial para a sobrevivência, na época em que o rádio é algo que, de uma maneira geral, é algo que raramente é escutado nos celulares, há aqueles hypes que não assistem televisão. Há também, de maneira geral, os que querem se excluir do conteúdo e os anti-Globo da vida. E também tem aqueles que, de maneira geral, ao ligar a televisão, não vê graça. Estou no último grupo.

Sério, eu não assisto televisão, e olha que não tenho apenas a TV aberta de opção. Como um cliente pré-histórico da NET, conheço as imediações da TV paga, aberta, meia-aberta (MTV, Multishow, entre outras) e parabólica. Sinceramente, eu conheço a TV de cor, e eu conheço a degradação dela, sendo eu o interessado por canais de documentários desde que eu era um moleque. No fim das contas, todos os canais, incluindo os documentários, caíram bastante.

Não é culpa d'eu ser chato, é culpa do canal mesmo. O History e Discovery Channel foram os que mais sofreram com o decorrer do tempo, e simplesmente, sumiram todos os programas interessantes e foram surgindo outros nada a ver. O History, que eu adorava pelos documentários históricos, hoje passa mais programa de colecionadores de quinquilharias e aliens do que a história própria e dita.

Não somente dando foco à TV paga, voltemos à TV aberta: a Globo e todos os outros canais só passam chatice, e ainda temos que aturar estas mesmas emissoras passando séries americanas com uma dublagem mal feita e ainda passam pela metade. Como assim? Retornando o foco: a TV aberta peca mais que a paga, lógico, mas está demais. Todo dia, quando eu tomo a coragem de ir na sala de estar e sentar um pouco no sofá, nem os telejornais (a não ser o Jornal da Globo) me passam alguma sensação boa. O Jô Soares só passa num horário em que já estou dormindo, e eu não tenho condições de assistir.

O pior é que já me disseram "mas tem os canais das suas séries favoritas", mas não vale a pena gastar uma mensalidade caríssima por isso sendo que eu posso pagar quinze reais por mês e ter tudo, ou então baixar. Mesmo que ilegal, eu tenho todo aquele conteúdo na minha frente e posso vê-lo quando quiser, ou até comprar na iTunes Store, sei lá, a internet propõe algum muito mais completo e divertido. A TV já teve seus dias melhores.

E a pátria que se dane?

Vendo os atos do "Black Blocs" e outros grupos no Rio de Janeiro e São Paulo, só me faz pensar uma coisa: estes, que defendem tanto a sua ideologia esquerdista e/ou anarquista e o país, realmente sabem o que estão fazendo ou estão apenas seguindo um retardado querendo ser Che Guevara gritando ordens? Parece que é o segundo caso. Do que adianta falar da "polícia bandida", "Globo manipuladora", "governo corrupto" se estes podem ser menos sujos que estes manifestantes-revolucionários?

Sério, é uma coisa que não bate com uma outra coisa, e você fica pensando: será que realmente isto tem serventia ou é só mais uma baderna? Claro, há manifestantes, não impeço a ideia de manifestar, eu acho até lindo ver que a pessoa está defendendo sua indignação, sua ideologia e ainda querer agir politicamente, e no entanto, é até permitido, desde que você seja cidadão, não que seja um bastardo qualquer. Mas hastear uma bandeira cubana enquanto queima a bandeira brasileira? Eu não acredito que algum brasileiro pôde ser tão covarde, imundo, traidor, retardado, delinquente e marginal a ponto de cometer uma atrocidade contra a pátria como uma coisa dessas. Deviam estar presos.

Eu sei que você está puto, eu também estou. Ver os impostos me mata do coração, ver a burocracia pior ainda, entre tantas outras coisas que temos que engolir à seco, mas não hasteei nenhuma bandeira americana, britânica ou sei lá qual enquanto queimava a brasileira. Não mesmo. Acho já está na hora de sentarmos em roda e debater, porque do jeito que está, vamos destruir um país inteiro e vai continuar a mesma coisa. Apenas um gasto de energia, pois para protestar, ideias e atitudes precisam estar formadas, e pelo visto, não está sendo o caso. Deus nos proteja.

sábado, 7 de setembro de 2013

Despedidas

Por mim, nada teria fim,
Por nós, nada teria fim,
Pena que existe o verbo "findar".
E ainda por cima,
Existe uma coisa:
Uma despedida.

Uma lágrima,
Uma rosa,
Uma flor,
Um aceno,
Chapéus levantados,
Um adeus.
Pode ser o último?
O primeiro de muitos?
Ninguém sabe.
Só cabe a tristeza.

Se eu pudesse,
Não deixava ninguém partir.
Se eu pudesse,
O mundo dos enamorados não partiria.
Se eu pudesse,
Tudo teria mais oi e menos tchau.
Se eu pudesse,
Não veria a um casal findar-se.

O beijo da namorada,
A carta de despedida,
Uma gota num sorriso,
Um lenço bem umedecido,
Soluços de choros,
Um adeus.
Pode ser o último?
O primeiro de muitos?
Ninguém sabe.
Só cabe a tristeza.

Lutaremos até o fim

"Está tudo muito caro", dizia nosso personagem. Ele tinha razão, mas ao mesmo tempo, não tinha razão. "Em nome do país, devemos acabar com esta burguesia suja que apenas escraviza", seguia com seu discurso, "e lutar pela nossa causa. Defender os interesses do povo, defender o direito do trabalhador", assim era seu discurso numa salinha escura onde trabalhavam, justamente para levantar o astral de seus dois seguidores, que até então, haviam silenciado suas palavras para ouvir o amigo.

Desesperados, não sabiam o que fazer. No passado, seus antepassados haviam planejado de tudo para impôr seu desejo marxista, o seu sonho utópico, que para eles solucionaria tudo. Mas não fazia diferença: milicos, políticos, e até mesmo os Estados Unidos poderiam impedi-los, mas não faria diferença, revidariam, levantariam e agiriam. Esta era a pauta da reunião do pequeno grupo que pensava numa utopia hiperbólica.

Ao sair do prédio na Av. Rio Branco, desceram em sentido à Uruguaiana. Desceram, riram, e pararam no McDonald's. Jantaram, e de lá foram para mais um protesto da noite, com gente vestindo camisas de partidos e movimentos como PT, PSTU, PCdoB, PSOL, MST, entre muitos outros partidos que apenas prezam o bem do país. Enquanto protestavam e gritavam pelo fim do corporativismo, pelos trabalhadores – como se apenas eles trabalhavam –, nosso companheiro tomava mais um gole de sua Coca Cola para refrescar a garganta exausta pela gritaria, e depois, abaixaria para amarrar seu tênis da Nike.

Logo após o fim da noite, pegavam seus carros: um Ford EcoSport, um Fiat Idea, um Mini Cooper e seguiam para seus apartamentos na orla da Barra da Tijuca. Ao chegar, desfrutavam mais uma garrafa de whisky escocês enquanto fumavam charutos, e mais ainda, apreciavam a incrível vista da cobertura, que dava para a praia. Brindavam com palavras como "à vitória da nossa luta". Acho que nunca mais veremos revolucionários melhores que estes três. "Ao futuro do país!", diziam.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Segundo dia de Bienal (04/09/13)

Como sabem, marquei presença na Bienal do Livro durante o sábado passado e presenciei um monte de coisas, e ainda coloquei em pauta algumas reclamações não somente devido à administração do evento, como também, à prefeitura, assim como elogiei um monte de coisas. Decidi voltar mais uma vez, com mais calma para presenciar o espaço. Mesmo hoje estando cheio, o dia foi produtivo e avistei algumas coisas que não havia visto.

A ida foi de metrô. Sim, sai da Zona Sul para o Riocentro de metrô. Saltei na estação Del Castilho/Nova America e aproveitei para almoçar no shopping. De lá, peguei o 613, que por curiosidade, eu cheguei no evento em 20 minutos. Então é a melhor dica caso você tenha acesso ao metrô, ou pelo menos acesso à estação.

Chupa, Subway! Por favor, espacinho para comentar isto, pois o Quiznos é muito melhor que o Subway e ainda, por seis e pouco, comi um sanduíche de frango com um molho delicioso, com uma saladinha de leve e ainda levei um copo de Coca com 300ml. Se fosse no Subway, seria uns cinco reais só do sanduíche de churrasco e mais uns três reais só do refrigerante e seria muito mainstream. Espero que abra logo uma loja dessas perto da minha casa.

O dia foi realmente resumido a passeios escolares, mas mesmo assim, foi muito menos tumultuado que sábado. Consegui entrar nas editoras, ler, e ver que livros eram interessantes, coisa que tentei no sábado e não consegui, simplesmente porque você não tinha a liberdade de parar e avaliar, e apenas julgava o livro pela capa – que é a pior coisa que existe em certos momentos. Entretanto, os preços continuaram os mesmos e quem me disse que estava aquele valor por ser sábado parece que se enganou muito feio.

O Café Literário é fantástico, o verdadeiro paraíso hipster dali. Havia muita gente, estava lotado, mas acabei que não optei por nada. Estava lotado e meu bolso vazio. Mas imagine com uma Starbucks ali dentro? Acho que a famosa cafeteria de Seattle deveria pensar em abrir alguma coisa para vender café no Riocentro, principalmente para a próxima bienal.

Prefeitura, o mesmo erro de novo não... e olha que todos reclamaram e fizeram bandalha de novo. Dessa vez, pelo menos o motorista teve o bom senso de ir até o Recreio, que foi a melhor ideia. A Salvador Allende estava insuportável, a mesma coisa a Abelardo Bueno, então o motorista optou pela Av. das Américas, coisa que eles deviam ter feito desde o começo da feira. Se realmente fizerem este esquema para o Rock in Rio, sei não, vai ser um nó impossível de desatar.

Poucos ônibus. Parece que os elogios para os ônibus especiais acabaram aqui. Fiquei quase meia hora no ponto esperando um ônibus vir, depois mais vinte minutos para outro vir já que o anterior havia esgotado todo o seu espaço e pelas leis da física, seria impossível caber mais um mosquito ali. A demora foi cansativa.

Aproveitando: O BRT é ridículo mesmo, e tenho dito! Enquanto eu passava pela Av. das Américas, fiquei observando, observando e parei para pensar: qual é o problema do PMDB com o metrô? Aquilo não tem nenhum atrativo. Cruzes, Paes! Tá na hora de cavar o buraco, toupeira.

2015, aí vamos nós! É bem provável que eu não vá mais na Bienal este ano, até porque meu dinheiro esgotou e eu não vou ter mais tempo. Se tudo der certo e eu não sair do Rio de Janeiro ou do país, 2015 estarei de novo lá, e se meus projetos derem certo, estarei como jornalista (sim, é um baita projeto). A Bienal traz uma energia ótima, confortável e principalmente atiçadora, já que uma vez, aquele público todo procura um pouco de cultura para ler, seja ela ficção, algo religioso, filosofia, romances, o que for! É lindo, é perfeito. Eu já sabia que era assim, mas agora que fui com a cabeça mais atenta, pude sentir isto de novo e claramente. 2015, já pode chegar porque lá eu vou estar!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sendo carioca

Não sei se realmente isto é hábito dos cariocas mais velhos, mas é algo que vejo todos os sábados de manhã enquanto vou ao colégio. Durante a manhã, a cariocada toda sai de suas tocas medidas por m², sejam casas, prédios ou vilas antigas, no caso de bairros antigos como Tijuca. Uns, no ponto, só se vê O Globo em suas mãos, enquanto outros, nas padarias, leem o periódico vespertino na padaria – sou um deles. Enquanto isto, seguem para a praia ou para suas tarefas cotidianas.

Mesmo que no inverno, um calor que só o Diabo dá conta. Eu seguia para a Bienal do Livro mesmo, mas outros não. Era sábado, era calor, estava na Tijuca, Rua São Francisco Xavier, 10 horas da manhã, e lá opera as linhas da Intersul, para a Zona Sul. Todos iam em direção a estação São Francisco Xavier, obviamente talvez para saltar na estação Cardeal Arcoverde ou Siqueira Campos. Mas quase todos iam para a praia, e disso eu tinha certeza.

Os pontos lotados, cadeiras, chapéus, protetor, a clássica Havaianas (todo mundo usa), bermudão e aquela ecobag que virou moda por aqui com todos os adereços para praia. Alguns lendo jornal no ponto de ônibus mesmo, outros com alguns pequenos livros. Outros caçoando os amigos com pranchas de surf em mãos. Enquanto isso, no Alto da Boa Vista, vulgo hippie descia na Floresta da Tijuca, se não era outra cultura que não identifiquei direito.

Ah, povo feliz. Chegariam nas suas praias, armariam suas barracas, e de lá ficariam contentes até... seja lá o que o Deus quiser e o que viria dos mares, ou até o povo do Arpoador começar a aplaudir o deitar de seu adereço favorito enquanto o Dois Irmãos se ilumina aos poucos. O mar, que estava mansinho, ventinho calmo, fresco, com o sol torrante acima de nós, foi o abre alas do dia. O trânsito, o divisor de águas, mas quem se importa? Parado com estilo, na vibe carioca. Tranquilidade, paz, Matte geladinho e um biscoito Globo para nos alegrar. Isto é ser carioca!

domingo, 1 de setembro de 2013

Texto: Sou o próximo

Estive correndo pelos campos gramados, conduzia meia dúzia de pessoas, e de repente, elas sumiram. Era 1940, e o ano estava começando aqui na Inglaterra, e quando vejo, todos aqueles ao meu redor sumiram. Mesmo eu estando ciente de que havia se instalado o inverno, havia algo de anormal, as coisas não eram mais as mesmas. Era tudo calmo, mas de repente, alguma coisa estava estranha.

As flores não eram mais rosas ou vermelhas como antes. Nem o branco era branco, de repente era cinza. Tudo cinza, havia um culpado, mas eu não sei quem é. Aqui na roça, no meio do nada, sem comunicação e energia elétrica, nada. Nada vezes nada, e ainda estou preso num fim de mundo, é apenas isto que posso afirmar. Mas quando eu olho, não tem quase ninguém.

Continuei correndo, mais rápido, e mais rápido. Homens de preto me perseguiam. Gritavam "vem cá, seu merda, nós te odiamos, seu verme" em outra língua, mas o que eu fiz? Eu sou apenas um jovem mortal de 16 anos. Meus pedidos de resgate nunca seriam ouvidos, pois ninguém estava pela redondeza. Tinha até certeza de que nem o vento cantava. Tudo estava parado, exceto eu, a grama na qual eu pisava e os homens de preto.

Por fim, atiraram, escapei. Caíram no rio e não sabiam nadar, já eu, conhecia um atalho e me escondi. Dois dias depois, encontrei um rádio. Eu não sabia, eu não sabia... eu nunca iria saber. Todos foram mortos. Arduamente mortos. Nunca mais os veriam, e estou escrevendo tudo isto neste pedaço de papel. Acho que sou o próximo.